Efeitos na saúde pública

Os processos electrofisiológicos normais existentes no nosso organismo podem ser influenciados pelos campos electromagnéticos, sejam estes naturais (emitidos pelo Sol) ou artificiais (isto é, produzidos pelo Homem).

Na generalidade, a população está exposta todos os dias a radiações electromagnéticas.Os equipamentos electrodomésticos, como microondas, televisão e telemovéis contribuem para essa exposição. As radiações associadas à gama de frequências em que funcionam os telemóveis e respectivas antenas de estações base, as chamadas radiofrequências (800 MHz a 2 GHz), fazem assim parte do espectro da radiação electromagnética não ionizante, isto é, a energia que lhes está associada não é suficiente para provocar a destruição da estrutura do material biológico, ao contrário das gamas de frequências ionizantes, como é o caso dos raios X, que provocam a ruptura das ligações químicas das moléculas.

 
Existem diversos factores que têm influência na exposição às radiações de antenas:
• potência radiada e a frequência de transmissão;
• distância à antena emissora;
• localização das pessoas relativamente ao seu diagrama de radiação;
• existência de outras estruturas próximas que possam causar obstrução ou reflectir as 
ondas radiadas;
• intervalo de tempo de exposição

Existem ainda diferentes susceptibilidades à radiação da população. É o caso das crianças. Estudos comprovam que as crianças são mais vulneráveis a radiações electromagnéticas, uma vez que o seu cérebro se encontra em desenvolvimento, a absorção de energia pelo tecido adiposo é maior, bem como o tempo de exposição, em comparação com um adulto.

 

Contudo, as radiações não ionizantes, embora não tenham a capacidade de provocar a destruição da estrutura do material biológico, é susceptível de induzir outros efeitos biológicos. 

 

Efeitos Térmicos

 

Os efeitos térmicos traduzem-se num aumento da temperatura dos tecidos biológicos, produzida pela energia das radiofrequências, a qual é absorvida pela água contida nos tecidos do nosso organismo
O aumento da produção de energia no organismo depende da intensidade da radiação que penetrou no seu interior e da capacidade do organismo em regular a temperatura.
A partir de uma determinada intensidade de radiação, o aumento de temperatura pode ser tão elevado que a corrente sanguínea não o consegue compensar. Em situações em que o acréscimo da temperatura dos tecidos for superior a cerca de 1ºC poderão surgir efeitos biológicos adversos, como efeitos fisiológicos incluindo alterações nas funções cerebrais e neuromusculares, alterações hematológicas, reprodutivas, entre outras...
Uma das zonas do corpo humano termicamente mais vulnerável são os olhos, pelo facto de terem uma irrigação sanguínea reduzida e possuírem, assim, menos capacidade para remoção dos aumentos de temperatura. 

 

Efeitos não térmicos

 

Existe a possibilidade de ocorrerem efeitos não térmicos no nosso organismo, resultantes da utilização de radiações de reduzida intensidade. Muitas das actividades eléctricas e biológicas do organismo podem sofrer interferência, derivada das radiações utilizadas nas telecomunicações.

Os efeitos não térmicos dependem sempre das características do indivíduo exposto, pelo que dois indivíduos expostos à mesma radiação podem ser afectados de forma diferente. É o caso das crianças, que são normalmente mais vulneráveis aos efeitos adversos na saúde do que os adultos.

Estudos revelam que a exposição a campos electromagéticos não tem qualquer relação com perturbações como cefaleias, ansiedade, depressão, náuseas ou cansaço, nem com problemas relacionados com a gravidez, como os abortos espontâneos, malformações do feto, entre outros... E ainda, verificou-se através da OMS que a exposição a radiações, por exemplo de telemovéis, não é susceptível a induzir cancro.